Preços das casas caíram 3,4% no segundo trimestre
Marina Canhoto
No segundo trimestre de 2026, o mercado imobiliário residencial em Portugal deu sinais claros de abrandamento. Os dados do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças ( O Observatório Imobiliário em Portugal é uma ferramenta criada e operacionalizada pelo Doutor Finanças com o objetivo de sistematizar e divulgar dados fiáveis sobre o mercado residencial em Portugal, permitindo uma leitura clara das dinâmicas de preços, oferta e acessibilidade à habitação. Baseia-se na análise contínua de anúncios imobiliários de venda e arrendamento, cruzados com estatísticas oficiais do INE, cobrindo todo o território nacional, com detalhe por distrito e município) mostram que, no período entre abril e junho, tanto os preços de venda das casas como os de arrendamento recuaram a nível nacional, face ao primeiro trimestre.
Em paralelo, o stock de casas disponíveis subiu de forma expressiva e a velocidade a que os negócios se concretizam abrandou. Não é uma travagem brusca, mas o conjunto dos indicadores aponta para uma mudança de ritmo que altera o equilíbrio entre quem procura casa e quem quer vender ou arrendar.
O preço médio por metro quadrado das casas anunciadas para venda fixou-se em 3.544 €/m² no 2.º trimestre, uma descida de 3,4% face à média do trimestre anterior (3.667 €/m²).
A evolução, contudo, esteve longe de ser uniforme. Dos 20 distritos e regiões autónomas analisados, 11 registaram subidas de preços das casas e nove apresentaram descidas. E as trajetórias mostram um padrão geográfico interessante: as maiores valorizações concentraram-se no interior norte e centro, enquanto as principais correções ocorreram em vários distritos do litoral e em territórios com preços médios mais elevados.
Entre as subidas, destacam-se Viseu (+8,6%), Santarém (+5,8%) e Portalegre (+3,4%). No sentido inverso, as maiores quedas ficaram por conta de Viana do Castelo (-5,3%), Setúbal (-5,2%) e Évora (-4,7%). Distritos de grande dimensão, como Lisboa (-3,3%) e Aveiro (-3,5%), também registaram correções relevantes, o que contribuiu de forma significativa para a média nacional em baixa.
Artigo de Luís Garcia